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Crónicas da Tia Moana

desde o século XX a ter uma opinião sobre tudo

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Falemos de feminismo

Oi oi oi, seus lindinhos. Hoje vamos a um assunto sério? Vamos falar de feminismo para leigos. Bora?

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Comecemos por breves definições:

Machismo: comportamento, expresso por opiniões e atitudes, de alguém que recusa a igualdade de direitos e deveres entre os géneros sexuais, favorecendo o sexo masculino sobre o feminino.

Feminismo: ideologia e movimento social que pretende a igualdade de direitos e oportunidades entre mulheres e homens.

 

Portanto, o contrário de machismo NÃO É feminismo; e o contrário de feminismo é "desigualdade de direitos". Por isso, depois destas definições, ninguém deveria ser anti-feminismo. Devíamos todos ser feministas, correto? O problema está até no facto da igualdade ser apelidada como "feminina", o que para a sociedade é demasiado "anti-macho" para se aceitar.

Agora, repare-se na necessidade de referir o feminismo como um "movimento". Desde sempre a sociedade é machista e para contrariar essa tendência foi imprescindível criar ferramentas de luta contra as ideologias desiguais da mesma. O machismo não é um movimento porque "não é preciso", a sociedade já o é, naturalmente. Um homem tem os seus direitos assegurados desde o seu nascimento: vai, de certeza, votar; vai, de certeza poder subir de cargo no emprego (sendo competente); vai, de certeza, poder falar do modo que quer e vestir o que lhe apetece sem ser conotado como "rude" e "oferecido". Estes direitos estão-lhe assegurados aqui e na China. Quanto à mulher, vai depender MUITO do local onde se encontra.

 

"Nos tempos de hoje, o feminismo é um exagero". Enquanto houver cultura de violência contra a mulher, enquanto ela for um problema para um empresa porque eventualmente vai (ou não) engravidar, e enquanto ela for INFERIOR a um homem em QUALQUER lugar, o feminismo nunca será um exagero. A luta nunca será para que a mulher seja superior ao homem, mas sim, para que tenha os mesmos direitos que ele. 

 

"Mas andar de mamas à mostra sem se depilar não é forma de ganhar igualdade de direitos".

Vamos por partes... O homem depila-se "POR LEI"? Então o pêlo é algo nojento na mulher, mas no homem é ok? Ah, certo! Eu, pessoalmente, depilo-me porque quero, e no meu pêlo mando eu. E no teu pêlo mandas tu. Gostarmos ou não é problema nossso, nunca da pessoa que decide ou não depilar-se. Relativamente a manifestações extremistas, EU não sou fã delas; nem ao ato de apelidar todos os homens de "violadores" e ainda assim sou feminista. Desengane-se quem acha que o feminismo é só isto (recomendo a leitura da segunda definição aqui escrita).

 

"Mas tu não podes queixar-te, porque no teu país o machismo nem é assim tão forte. Até o aborto é permitido"
Parte 1: Mas não deveria ser forte nem fraco, deveria ser nulo. Enquanto nos hipermercados, os brinquedos de meninas forem jogos de tachos, costura, limpeza e os dos rapazes forem de bombeiros, ciência, polícia, médicos (etc) há machismo REBARBADO na nossa cara. Enquanto o meu amigo João disser à filha "não podes dar resposta aos meninos porque as meninas têm que se portar como princesas" há motivo para querer lutar pelo feminismo. 
Parte 2: aborto e feminismo não andam de mãos dadas, ok? Um não implica o outro. Eu não faria um aborto, no entanto, a legalização do aborto NÃO ME OBRIGA a fazê-lo, apenas o legaliza. Além disso, as pessoas até são a favor de aborto quando a mulher é vítima de violação, mas se foi um erro, já não. Portanto a preocupação é relativa a se a mulher abriu as pernas por vontade própria ou não. Deixemos de ser hipócritas em argumentar que a preocupação é "com uma vida". Um feto de um violador é um feto, ainda assim, mas aí já não importa, porque a mulher não abriu as pernas porque quis, então o aborto já "é fixe"... (adaptado do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=juWtQ_4XL-g )

 

"Mas achas que a solução seja as mulheres serem malcriadas e agressivas?" NÃO!

Acho que é tão grave uma ofensa por parte de uma mulher como de um homem. Acho que uma mulher bêbeda "é tão feio" quanto um homem (não na sua plena definição de "achar" dado que não tenho rigorosamente nada que ver com o que cada um bebe; não tenho sequer o direito de "achar" coisa nenhuma, porque a vida é de cada um). Acho que um líder não tem de ser SEMPRE macho. Acho que uma minissaia não define em nada o caráter de uma mulher, como uma camisa decotada num homem também não o faz.

 

Com isto, pretendo que se entenda que os MOVIMENTOS RADICALISTAS existem em todas as ideologias; são um extremismo, resultado de um estado emocional intenso, e que na maior parte das vezes, por muito boa intenção que tenham, afastam os mais sensíveis de uma luta que é importante, na sua totalidade.

Por fim, e como é Natal, pedia, por favor para que sempre que se comenta/fala/ataca de uma mulher se faça o seguinte exercício: pensem que essa mulher-alvo é a vossa mãe ou filha cujo ataque lhe é dirigido. Ficou feio? Então P-A-R-A !

E pronto, hoje é tudo. Voltamos para a semana.

um grande beijinho da vossa,

Tia Moana

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